31
Jul 14

 

 

Tenho que começar este post por dizer que gosto muito de Nick Hornby. Quando não estou a ler Policiais (nos últimos anos nórdicos) estou a ler Nick Hornby. Gosto particularmente do Alta Fidelidade e do Juliet, Naked, mas não são desses que vou falar aqui.

 

E ao contrário de posts anteriores, também não vou fazer nenhuma espécie de crítica mas sim falar deles numa perspectiva mais pessoal. De alguma forma é como se sentisse que estes livros podiam ter sido escritos por mim.

Por isso vou falar antes de 31 Canções e de Febre no Estádio – Diário de um Fanático.

 

31 Canções é uma lista de músicas que o autor adora e tem de alguma forma uma relação emocional com elas. Embora não partilhe dos mesmos gostos musicais, revejo-me totalmente na parte emocional das canções.

Eu sempre gostei de música, de ouvir, de cantar, de partilhar, de tocar. A música sempre esteve presente na minha vida. A música foi aquilo que me deu forças para continuar quando tudo o resto falhava.

Aprendi a tocar e a cantar, tive que desistir de ambos, e voltei a fazê-lo depois dos 30. E é tão bom reviver tudo aquilo que tocar guitarra me traz e ver como me transformo e me entrego a algo que gosto tanto de fazer!

E, à semelhança do que acontece com Nick Hornby, também tenho uma série de canções sobre as quais poderia listar e escrever todas as memórias e emoções que elas me trazem. Quem sabe se não o faço um dia!

 

Febre no Estádio – Diário de um Fanático descreve a relação do autor com o seu clube de futebol, o Arsenal de Londres. Quem me conhece sabe que sou adepta do Benfica, e que raramente perco um jogo em casa.

O primeiro comentário que tenho que fazer a este livro é que, bem se às vezes acho que sofro demasiado com o Benfica, ainda bem que não sou do Arsenal! Ninguém merece tanto desastre! Eu até simpatizo com o clube, mas em Inglaterra sempre preferi o Liverpool.

Em comum com Nick Hornby tenho que em parte, se sou do Benfica, é graças ao meu Pai, e se vou tantas vezes ao estádio, é muito porque em parte é aquilo que nós sabemos fazer juntos. É o nosso momento de cumplicidade, que é só nosso! A minha mãe dizia que o meu Pai nunca pensou que, dos três filhos, quem o iria acompanhar nas loucuras futebolísticas seria a menina mais nova.

E de facto, como também me acontece com a música, o futebol, e o Benfica em particular, também despertam em mim uma série de comportamentos e emoções que mais nada traz.

A última época foi difícil para nós, não por ter sido um desaire desportivamente, de 4 competições ganhamos 3, mas pelo revês emocional a que nos obrigou.

A minha mãe e o Eusébio faleceram num espaço de uma semana. Eu não sou crente nem supersticiosa, mas quando vi as notícias da morte do Eusébio, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi: Bolas, de facto os bons nunca morrem sozinhos! É óbvio que não senti a morte do Eusébio da mesma forma que senti a da minha mãe, nunca o conheci pessoalmente, nem há comparação possível, mas de alguma forma senti que toda a nação benfiquista partilhava um pouco da dor e do luto que ocupavam o meu coração na altura. Por esta coincidência ou ironia do destino, como lhe queiram chamar, o ir ao futebol ocupou ainda maior importância na minha vida e na do meu Pai.

Por isso, quando estávamos no Estádio da Luz, no jogo em que nos sagramos campeões nacionais, no meio dos festejos toda a gente começa a gritar pelo Eusébio e pelo Coluna, e eu, mantive-me em silêncio e postei no Facebook: O Eusébio e o Coluna que me desculpem, mas esta é para ti Mãe! Porque era mesmo isto que eu sentia, porque sei que se pudesses ias estar felicíssima por nós. E preocupadíssima também, porque nunca mais chegávamos a casa!

Por tudo isto, embora não sejam os meus livros preferidos do Nick Hornby, são de longe aqueles com os quais me identifico, e quem sabe se um dia escrevo mais a sério sobre ambos!

publicado por AS às 20:10

24
Mai 13

 

A Casa da Seda
de Anthony Horowitz
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 284
Editor: Editorial Presença
ISBN: 9789722350358

 

Eu sou uma grande fã de Sherlock Holmes. Desde muito cedo, algures na minha infância, o interesse surgiu, e foi o suficiente para ler as obras de Conan Doyle, relê-las, ver séries, adaptações cinematográficas, comics, etc. Tudo o que envolva o nome do detective mais famoso do mundo desperta o meu sentido de critica.

E é também por esta razão que, sempre que vejo o nome Sherlock Holmes associado a algo novo, um misto de curiosidade e desconfiança se apodera de mim.

Quando vi à venda o livro "A Casa da Seda" de Anthony Horowitz, o interesse foi despertado por ser a primeira obra de sempre a receber a aprovação do "Conan Doyle Estate Ltd". Portanto, se a entidade que zela pelo património literário deixado por Conan Doyle aprovou, quem sou eu para desaprovar?

E de facto, ao ler o livro percebe-se porquê. Em primeiro lugar, porque é narrado por Watson, a história passa-se em Novembro de 1890, ou seja, entre as histórias originais, escritas por Doyle. No entanto, devido às suas implicações, só é escrita após a morte de Holmes, e o Dr. John Watson deixa expresso que a mesma só seja dada a conhecer ao público muitos anos depois da sua morte, garantindo que nenhum dos envolvidos possa alguma vez ser implicado no caso.

Desconhecendo por completo o trabalho do autor, o primeiro aspecto a destacar é de facto o trabalho de pesquisa feito por Horowitz, e a sua capacidade de retratar Londres da época Vitoriana. É também de realçar a fidelidade e a caracterização que deu às personagens, dando-lhes um toque pessoal, mas mantendo muitas das caracteristicas que deslumbraram os fãs de Doyle.

Depois, e para mim o aspecto que enriquece imenso o livro é a história e a forma como esta é narrada. Num caso aparentemente inofensivo, Holmes e Watson vêem-se mergulhados no submundo de Londres, onde surge recorrentemente "A Casa da Seda", que se revelou uma misteriosa entidade, um inimigo mais mortal que qualquer outro já enfrentado por Holmes – e com uma conspiração que ameaça manchar toda a sociedade…

O desfecho, embora surpreendente para a época, é muito actual nos nossos dias.

Em resumo, este é um livro altamente recomendável. Para os fãs de Sherlock Holmes, porque nos traz todas aqueles pormenores que tanto gostamos nas obras originais! Para os não fãs, porque é um excelente policial!

publicado por AS às 23:20

02
Abr 13

O mundo da publicidade nunca me fascinou por aí além. No entanto, confesso que por várias vezes a publicidade da Vodafone fez-me conhecer algumas bandas. Uma das situações remonta ao ano de 2006, com o anúncio para o serviço Backup. A música era "Banquet", que me pareceu totalmente viciante. Passado uns dias, passou na Rádio "Two More Years", da mesma banda, e esta combinação tornou-se explosiva. Rapidamente tive que descobrir quem eram estes meninos e ouvi-los atentamente. A banda eram os Bloc Party.

Assim que os descobri, tratei de arranjar a discografia que tinham dísponivel. Ainda hoje, o primeiro álbum de estúdio dos Bloc Party, Silent Alarm, faz parte dos álbuns a que regresso e ouço em repeat.

 

Nas ultimas semanas, surgiram os tarifários red e, com eles, mais uma música que se colou aos meus ouvidos. "On Top of the World" dos Imagine Dragons é "catchy", alegre, e faz com que prestemos atenção ao anúncio. Claro está que tive que descobrir quem eram estes meninos, e se eram um "one hit Wonder" ou algo mais. Felizmente, as minhas expectativas não foram defraudadas, há semelhança do que aconteceu com os Bloc Party. "Night Visions", o primeiro álbum de estúdio dos Imagine Dragons é bestial. Não conseguindo ser tão viciante como Silent Alarm, ouve-se em repeat até à exaustão, sem ficarmos exaustos.

 

Por tudo isto, tenho que "agradecer" à Vodafone por me ter dado a conhecer duas bandas que me marcaram, e que mudaram a minha relação com a música!

 

Aqui ficam os anúncios: 

  
E Aqui ficam os telediscos: Bloc Party - Banquet 
                               Imagine Dragons - On Top of the World

 

publicado por AS às 22:19

08
Jun 12

Sinopse: Quando uma mãe e a sua filha são encontradas, brutalmente assassinadas, na Baltimore do século XIX, o detetive Emmett Fields (Luke Evans) faz uma descoberta surpreendente: o crime assemelha-se a um homicídio ficcional descrito, com todos os detalhes sangrentos, no jornal local – parte de uma coleção de histórias escritas pelo escritor e pária social Edgar Allan Poe (John Cusack). E mesmo enquanto Poe é interrogado pela polícia, outro assassinato terrível ocorre, também inspirado numa das suas histórias populares.

Ao aperceber-se que um assassino em série anda à solta, usando as histórias de Poe como pano de fundo para a sua fúria sanguinária, Fields pede a ajuda do escritor para parar os ataques. Mas quando, aparentemente, uma pessoa próxima de Poe se revela poder ser a próxima vítima deste assassino, o nível de risco eleva-se e o criador das histórias terá de recorrer aos seus poderes de dedução para tentar resolver o caso, antes que seja tarde demais.

Crítica: Edgar Allan Poe foi um dos grandes escritores do século XIX, que nos deixou contos de terror, mistério e poemas intrigantes e muito belos, como é o caso do poema que dá nome a esta história. Esta teia romanceada que nos é apresentada por James McTeigue versa sobre os últimos dias do poeta e escritor - dias esses que permanecem um mistério até hoje - e  traz uma trama bastante interessante com pormenores macabros como uma boa história de Poe. James McTeigue tem uma realização bastante bem conseguida, captando bem a essência da época vitoriana tantas vezes representada no grande ecrã, e dando um tom de mistério que nos prende até ao fim e nos deixa em suspenso sobre o final - embora para conhecedores de Poe, o final não seja assim tão surpreendente.

John Cusack, um actor que nunca se conseguiu impor muito em Hollywood tem um desempenho bastante interessante, dando-nos um excelente Poe, embora com alguns toques de loucura um pouco exagerados a meu ver, mas que no contexto desta história se enquadram como uma luva, sendo portanto isso um mal e um bem do personagem e da interpretação de Cusack.

Alice Eve, que confesso era uma estranha para mim, foi uma surpresa bastante interessante com o seu papel bastante claustrofóbico construído de uma forma fantástica. Luke Evans apresenta-se como um detective muito humano, embora nem sempre o possa parecer, fazendo lembrar a meu ver o inspector Abberline interpretado por Johnny Depp em "From Hell" (embora mais contido que o personagem de Depp).

Quanto ao assassino, penso que prima essencialmente pela surpresa, embora penso que lhe falte um pouco de carisma, sendo até em certa medida demasiado secundário em alguns momentos.

Em suma, creio que é um filme recomendável a todos os fãs de Poe, sendo também que para os espectadores mais impressionáveis poderá ter algumas cenas mais pesadas e macabras. Eu, como fã de Poe acho que lhe faz jus, e que em nada peca quanto às suas narrativas.

publicado por FV às 16:22

04
Mar 12

Sinopse: Aos trinta e poucos anos, Brandon (Michael Fassbender) é um bem-sucedido irlandês com um cargo de topo numa grande empresa de Nova Iorque. A viver sozinho num pequeno apartamento, tem a vida controlada ao milímetro. Porém, por trás de uma máscara de autocontenção, está um homem a viver no limite. Numa luta constante entre um medo incontrolável de intimidade e uma ânsia de sexo, ele vive de encontros ocasionais com estranhos. Até Sissy (Carey Mulligan), a sua irmã mais nova, aparecer sem pré-aviso e instalar-se no seu apartamento. Brandon perde então todo o controlo sobre a sua vida e a sua sexualidade.

Crítica: Já tinha saudades destes momentos de poder visionar um filme em ante-estreia. Desta vez, foi Shame, que traz um Michael Fassbender verdadeiramente fenomenal, interpretando um papel bastante complexo de um viciado em sexo, que vive completamente no limite e que vê todo o seu mundo abalado com a chegada da sua irmã mais nova - excelente interpretação de Carey Mulligan.

Shame é um filme complicado, desconfortável, forte, pesado e que mostra uma realidade crua, como o mundo e a vida verdadeiramente são. Uma visão avassaladora e muito crua - também demonstrada pelas cenas de sexo bastante realistas e intensas - da sociedade, dos seus vícios, dos seus sonhos e pesadelos, na imagem destes jovens: Brandon e Sissy. Irmãos que demonstram que as relações entre os mesmos nem sempre são fáceis e pacíficas. Irmãos que demonstram o peso e a carga que um deles consegue ter sobre o outro. Irmãos que, perante uma fachada aparentemente normal, vivem escondidos nos seus vícios, medos, receios e problemas. Brandon (Fassbender) com o seu vício de sexo, com uma entrega espectacular do actor, em especial as cenas no metro e os minutos finais em que se entrega ao seu descontrolo. Sissy (Mulligan) com o seu vício de protecção, de se "esconder" e sentir protegida pelos outros, também numa muito bem conseguida interpretação da qual destaco a cena musical - gravada em tempo real, com reacções genuínas dos restantes elementos que nela participam - assim como os seus minutos finais.

Em resumo, Shame é um filme incrivelmente cru e real, que não será aconselhável a quem tem problemas em ver demasiada realidade transposta no ecrã - ou mesmo demasiada nudez e sexo. Aos restantes, aconselho a não perderem este filme, assim como a procurar acompanhar de perto os dois grandes intérpretes da trama - Michael Fassbender e Carey Mulligan.

 

publicado por FV às 00:45

01
Mar 12

A seguir ao grande sucesso que foi a Trilogia Millenium, de Stieg Larsson, eis que decidi procurar mais policiais nórdicos. Foi então que descobri o livro A Princesa de Gelo, de Camilla Lackberg.

A história tem como protagonista, Erica Falck, uma escritora residente em Estocolmo que tem que regressar a Fjällbacka, a sua terra natal, após a morte dos seus pais. Quando lá chega é confrontada com uma terrível notícia: Alexandra Wijkner, a sua melhor amiga de infância é encontrada morta em casa. Quando tudo apontava para suicídio, eis que a investigação policial revela que Alex foi assassinada. Em busca de explicações, os pais de Alex pedem a Erica que escreva sobre a falecida amiga. Desta forma, a protagonista vê-se desafiada a tentar perceber o que aconteceu à amiga, de quem a vida a tinha afastado. Assim, acaba por ficar envolvida na investigação, colaborando com a polícia através do seu amigo Patrick Hedstrom. Esta é a premissa em torno do primeiro policial de Camilla Lackberg, que é apresentada pela editora como “A Nova Agatha Christie que vem do frio.” Pessoalmente, não gosto deste tipo de comparação, pois muitas vezes podem defraudar, mas a verdade é que existem muitas semelhanças na narrativa com as obras de Agatha Christie.  Primeiro, porque grande parte da acção ocorre dentro das casas das personagens, depois porque o aparecimento de um corpo numa pequena cidade vem abalar a estabilidade local, dois aspectos bastante explorados pela escritora britânica. À medida que a história se vai desenrolando acontece algo comum nas obras de Agatha Christie: todas as personagens se tornam suspeitas, até as mais improváveis, e o leitor acaba por se deixar levar pela história, tentando ir percebendo quem efectivamente é o assassino, e quais as razões que o levaram a cometer o crime?

Paralelamente a esta história, surgem vários temas como a violência doméstica, a infidelidade, a repressão da sociedade, entre outros, em que se percebe que Lackberg faz uma crítica à sociedade sueca.

Se, após ter lido a trilogia Millenium, fiquei mal impressionada com a sociedade sueca, com A Princesa de Gelo  essa má imagem ficou reforçada, como sendo uma sociedade mesquinha, que vive  demasiado preocupada com as aparências.

Este livro é altamente recomendável para todos os amantes da literatura policial.

A título de curiosidade, a autora Camilla Lackberg nasceu em 1974, em Fjällbacka, licenciou-se em Economia pela Universidade de Gotemburgo, e é Economista de Profissão, no entanto, os pais e o marido ofereceram-lhe como prenda de natal um curso de escrita criativa. Após ganhar um prémio de literatura, dedicou-se a 100% à escrita de policiais, dos quais o primeiro é este A Princesa do Gelo

publicado por AS às 22:24

26
Fev 12

 

Pearl Jam Twenty é um documentário realizado por Cameron Crowe acerca dos 20 anos de carreira dos Pearl Jam (PJ).

Nascidos das cinzas dos Mother Love Bone, após a morte do seu vocalista Andrew Wood, os Pearl Jam tornaram-se numa das bandas mais marcantes do fenómeno Grunge, nascido em Seattle, no início da década de 90.

Lembro-me de, quando TEN foi lançado e as nossas rádios foram bombardeadas com músicas como Alive, Even Flow e Jeremy, essas músicas passaram a fazer parte do meu quotidiano. Não passou muito tempo, até haver uma cópia em vinil lá por casa. Portanto, de alguma forma sinto que os PJ fizeram parte do meu crescimento, e até mesmo da minha vida.

Mas voltando ao documentário, é impossível falar dos Pearl Jam sem referir os Mother Love Bone, o tributo prestado a Andrew Wood com os Temple of the Dog, onde participa o amigo Chris Cornell dos Soundgarden, à guerra com a Ticket Master, o porquê de a determinada altura não recorrerem a telediscos para promoção dos álbuns, até à tragédia no festival Roskilde, em 2000, na Dinamarca, onde morreram 9 fãs que estavam na primeira fila.

Todos estes aspectos e muitos outros são referidos no documentário, e ajudam os fãs a perceber o porquê dos Pearl Jam estarem “vivos” ao fim de 20 anos de carreira.

Um dos aspectos que sempre admirei nos Pearl Jam foi o respeito e até alguma proteção que sempre demonstraram ter pelos seus fãs, quando isso até lhes podia ser prejudicial financeiramente. Por exemplo, a tragédia de Roskilde marcou-os de tal forma que equacionaram a hipótese de acabarem. Aliás, segundo os próprios, existem uns Pearl Jam Pré e Pós Roskilde. Ao invés de acabar, fizeram aquilo que melhor faziam, escreveram uma música, Love Boat Captain, do álbum Riot Act, onde referem a tragédia dizendo: "Lost nine friends we'll never know... two years ago today." Sempre que esta música é cantada em concertos, Eddie Vedder muda a letra, referindo o número de anos que passaram desde a tragédia.

Portanto é com muito orgulho e com algum saudosismo à mistura que assisto aos 20 anos de uma das minhas bandas preferidas, e espero que os próximos 20 sejam recheados de sucesso e que me acompanhem em momentos tão marcantes na minha vida, como aconteceu nas primeiras duas décadas!

publicado por AS às 18:01

24
Fev 12

 

Fico sempre apreensivo e preocupado com o que vai acontecer quando se fala de remakes de filmes que tiveram sucesso - quer seja pelo próprio filme, ou porque um actor/actriz ficou mais conhecido(a), ou porque a obra da qual é adaptado teve um boom de sucesso (como foi o caso) -, mas neste caso com o facto de a história ser adaptada por um dos meus realizadores preferidos, tendo Daniel Craig, Christopher Plummer, Stellan Skarsgard, entre outros no elenco, e com todas as imagens que foram apresentadas de Rooney Mara como Lisbeth, fiquei bastante curioso e esperei ansiosamente a estreia.- 

E, de certa forma, não poderia ter corrido melhor. Começando com o excelente genérico - dos melhores do ano, sem dúvida - com uma grande música da autoria de Trent Reznor e Karen O (adaptando um original de Led Zeppellin), passando por uma excelente interpretação de Rooney Mara  - ainda que diferente da sua antecessora Noomi Rapace - e tendo também Daniel Craig em muito boa forma, esta é uma adaptação, ou remake se preferirem, que vale a pena ver.

A forma como David Fincher pegou na história, não a afastando muito da versão original, mas no entanto incorporando alguns pontos do livro que, para mim tinham falhado anteriormente, trouxeram uma adaptação bastante fiel à história criada por Stieg Larsson. A maior diferença entre o livro e este filme será mesmo o final, que David Fincher refez, tendo perdido um pouco da dinâmica do livro, mas não estando inteiramente disparatado. Ao contrário da versão original, Fincher tratou alguns personagens de forma diferente - como Lisbeth, dando-lhe um ar mais frágil que também é apresentado no livro - e incorporou (ou aumentou a presença) de outros que são importantes na história e, especialmente no desenrolar da trilogia.

Quanto aos actores, Daniel Craig está bastante bem, sendo que também não transcende por muito Michael Nyqvist, na forma como ambos fisicamente acabam por ser parecidos, permitindo assim também haver uma boa identificação, de acordo com o que foi criado e descrito no livro de Stieg Larsson. O Blomkvist de Craig apresenta também algumas melhorias na forma como Fincher explora o seu relacionamento - importante - com algumas das restantes personagens.

A integração - e relativa importância - de Pernilla Blomkvist também melhora a narrativa, bem como a aparição de Holger Palmgren e Cecilia Vanger e o maior ênfase dado a Erika Berger, muito bem interpretada por Robin Wright.

Chego agora a um dos pontos que mais discórdia tem causado: Rooney Mara. Para mim, a actriz americana consegue ser uma personificação muito fiel, forte e merecedora das nomeações que tem obtido. Devido à diferente visão de Fincher, Rooney Mara é uma Lisbeth Salander que não tem apenas o seu lado anti-social, aparentemente frágil e perturbada, nem o seu lado de rebelde e hacker, mas também um lado mais inseguro, preocupado e verdadeiramente frágil, como Larsson criou - de acordo com a minha leitura e interpretação da personagem, em especial nesta história. Penso também que todo o esforço e dedicação que a actriz colocou na personagem a melhoraram, tornando-a sem dúvida numa personagem inesquecível, rivalizando com a sua colega Noomi Rapace que tão bem interpretou na versão original.

Devido ao facto de ter querido aproximar mais do livro a sua versão da história, Fincher tem no entanto alguns pontos menos bons, passando um pouco rapidamente de mais talvez, por momentos importantes - como por exemplo, a vingança de Lisbeth Salander perante Nils Bjurman ou mesmo algumas cenas entre Henrik e Blomkvist, e a dedução de toda a trama que é feita por Lisbeth e Blomkvist.

Assim, na minha opinião, penso que esta versão consegue no entanto ser uma adaptação a que vale a pena assistir, quer se tenha ou não assistido o filme original ou lido as histórias de Stieg Larsson. Quem estiver "em branco" irá com certeza ter momentos bastante agradáveis na presença de um excelente filme, com excelentes interpretaçoes, realização e banda sonora. Quem apenas tiver visto a versão sueca, irá ter algumas surpresas e algumas decepções, sendo que no entanto creio que irá desfrutar da história. Quem tiver lido o livro apenas irá com certeza achar que Fincher fez um excelente trabalho na difícil adaptação desta grande obra.

Quem, como eu, tiver já lido toda a trilogia e visto toda a trilogia sueca, irá sentir que Fincher conseguiu cumprir muito bem o que lhe era pedido, sem "americanizar" de mais a história, com um bom trabalho de casting - ainda que uma falha ou outra - e sem perder a essência da narrativa, sendo que como grande fã do realizador, acho que foi um dos seus melhores trabalhos.

publicado por FV às 15:51

17
Fev 12

 

Este foi o filme que me despertou a curiosidade desta trilogia, nomeadamente a interpretação de Noomi Rapace, que abordarei em mais pormenor mais à frente. Foi depois de ver este filme, que li toda a trilogia, tendo no entanto, após a leitura, feito um novo visionamento.

Nesta versão de 2009, realizada por Niels Arden Oplev encontramos, tal como no livro de Stieg Larsson, Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) condenado por difamação do financeiro Hans-Erik Wennerstrom e a querer afastar-se da ribalta uns tempos, quando surge uma proposta de trabalho de Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), para escrever a sua biografia enquanto investiga o desaparecimento da sua sobrinha neta Harriet, há mais de 40 anos, tendo posteriormente a ajuda de uma rapariga complicada com tatuagens e piercings, que no entanto é uma hacker excepcional - Lisbeth Salander (Noommi Rapace).

Até aqui nada de novo. Os mesmos meandros da história do livro foram adaptados nesta versão. A história, embora tenha sofrido algumas alterações não se afasta muito da versão de Stieg Larsson, tendo no entanto alguns pontos de diferença que, tal como já referido em alguns posts anteriores, me parecem que são mantidos de fora devido à realidade da sociedade sueca.

Creio no entanto que, há dois pontos em que a versão cinematográfica perde: as presenças de Erika Berger, Pernilla Blomkvist e Cecilia Vanger, que são bem menos exploradas que no livro, perdendo-se aqui alguns pontos de interesse, assim como perdendo-se um pouco o lado "mulherengo" e bon-vivant que é dado a Blomkvist.

Michael Nyqvist é uma excelente personificação de Blomkvist, com o seu ar perturbado e cansado, e sempre muito incrédulo com o que vai descobrindo passo a passo. Também personifica bem o estilo de homem que Stieg Larsson descreveu e que o realizador conseguiu transpor para o ecrã.

No entanto, esta e todas as interpretações são arrebatadas pelo alto dos 163cm de Noomi Rapace, que se transformou numa Lisbeth Salander fantástica, quase perfeita. Toda a sua caracterização, a sua personalidade, o seu bad look, fazem de Rapace aquilo que Larsson criou como uma anti-heroína que se torna heroína, na imagem de uma rapariga aparentemente anti-social, frágil e perturbada, mas que no entanto consegue defender-se de um ou vários atacantes, ser uma hacker excepcional e ajudar Blomkvist nas suas investigações de forma impressionante.

Rapace consegue assim, ter uma das melhores interpretações a que tive oportunidade de assistir, em especial em algumas das cenas mais complicadas de toda a trilogia, como aquelas em que contracena com Nils Bjurman (Peter Andersson), bem como algumas das cenas com o próprio Blomkvist.

Assim, penso que a adaptação da primeira obra da trilogia, na sua versão e língua original - o sueco - vale essencialmente pela interpretação de Rapace, do seu parceiro Michael Nyqvist, sendo ainda seguidos de perto por Peter Andersson. A versão não foge muito ao livro, falhando no entanto nalguns pontos fulcrais, conforme indiquei antes e que contribuiam - se calhar não tanto nesta história, mas nas sequelas - para uma melhor adaptação e personificação desta teia criada por Larsson. Penso que - e sem desprimor para Rapace - o realizador também apostou demasiado em mostrar o seu lado duro, batido e resistente - que ela interpreta muito bem - perdendo-se aqui um pouco o lado mais sensível e humano que Lisbeth também tem, e tão bem é mostrado no livro, fazendo todo o sentido para a história - e, essencialmente, para as continuações.

publicado por FV às 17:41

10
Fev 12

 

Sinopse: O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerström e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.

 

Crítica: Li este livro em pouco mais de 2 dias e a cada página, cada capítulo ansiava por saber mais sobre a trama, tal não é a teia construída pelo - infelizmente - falecido Stieg Larsson.

O início da trilogia Millenium e de toda a saga de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander abre, para mim, todo um novo género de literatura e imaginário. Um livro com uma história policial diferente do que é habitual, mais se aproximando a um thriller. Além da já referida anteriormente visão tormentosa que apresenta da sociedade sueca, este livro traz algo de inovador, na forma crua como aborda a história e as personagens.

Aliás, a personagem de Lisbeth Salander consegue estar tão completa que quase se sobrepõe ao próprio livro. Uma rapariga franzina, considerada socialmente incapaz, quase anti-social, lenta mas que no entanto consegue ter um lado muito humano, complexo e é bem mais inteligente do que toda a gente pensa, sendo na verdade uma investigadora excepcional..

Uma pessoa que não é o que aparenta e tem uma vida muito mais complexa que aquilo que muita gente quer fazer crer e que se vê a braços com muitas complicações no meio de toda a trama, acabando por ser crucial para o desenrolar e resolução da mesma.

Quanto a Blomkvist, um personagem que, a meu ver é uma espécie de aproximação ao próprio Stieg Larsson, na medida em que encaixa em pequenas peças, como o seu historial profissional e aparência. Um homem que, ao ser condenado a uma pena de prisão por difamação, vê toda a sua vida do avesso ao aceitar embarcar no mistério que Henrik Vanger lhe apresenta, para além de ter de abandonar os seus amigos e colegas na Millenium, com uma bomba prestes a rebentar, devido à sua condenação, o que consequentemente afecta a própria revista.

A família Vanger, uma das últimas famílias industriais da Suécia, que tem pessoas tão diferentes e com relacionamentos tão complexos entre si, que o próprio Henrik apresenta como sendo um grupo de ladrões, mentirosos e falsos. Henrik que vive há mais de 40 anos desesperado com o desaparecimento da sua sobrinha-neta Harriet, apresenta-nos uma família castigada por questões políticas e religiosas que levam a que os seus membros mal se falem e se relacionem apenas devido às empresas que possuem, as quais também se encontram em declínio.

Ao nível da história, a mesma é bastante mais complexa do que o que aparenta: não se trata simplesmente de perceber o que aconteceu a uma rapariga de uma família industrial muito complicada, mas existe um enquadramento político, religioso e e social, que deturpa a forma como são vistas e tratadas as mulheres, tornando toda a trama muito mais complexa e intrincada..

Todo o encadeamento nos deixa boquiabertos e completamente viciados na forma de escrita de Stieg Larsson, desejando continuar a saber que novos mistérios estão guardados para todos os personagens.

publicado por FV às 16:45

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