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Dez 07



Sinopse: O misterioso e carismático Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen), nascido na Rússia, é o motorista de uma das mais famosas famílias do crime organizado de Londres, com origem na Europa de Leste. A família pertence à irmandade criminal Vory V Zakone. Chefiada por Semyon (Armin Mueller-Stahl) - cujo charme como proprietário do acolhedor e luxuoso restaurante Trans-Siberian esconde impecavelmente um frio e brutal âmago - a fortuna da família é testada pelo volátil filho de Semyon - Kirill (Vincent Cassel) - que está mais ligado a Nikolai do que ao próprio pai. Mas a existência cuidadosamente mantida de Nikolai é abalada quando se cruza durante a época de Natal com Anna Khitrova (Naomi Watts), uma parteira de um hospital do norte de Londres. Anna está profundamente afectada pela situação desesperada de uma jovem adolescente que morre durante o parto. Anna resolve tentar descobrir a linhagem e os parentes do bebé. O diário pessoal da rapariga também lhe sobrevive; está escrito em russo e Anna procura respostas nele. A mãe de Anna Helen (Sinéad Cusack) não a desencoraja, mas o irascível tio Stepan (Jerzy Skolimowski), natural da Rússia, pede-lhe cautela. E tem razão: ao penetrar nos segredos do diário, Anna acidentalmente desperta a fúria do Vory. Com Semyon e Kirill a cerrar fileiras e Anna a pressionar com as suas perguntas, Nikolai encontra-se inesperadamente dividido na sua lealdade. Em quem pode ou deve confiar? Várias vidas - incluindo a sua - ficam no fio da navalha, numa angustiante cadeia de crimes e enganos que se desenrola através dos mais negros recantos desta família e da própria cidade de Londres.

 

Crítica:  Um filme que volta a juntar Cronenberg e Mortensen, depois de “Uma História de Violência” estaria sempre sujeito a apreciações e comparações. Um filme que retrata a máfia, estaria sempre sujeito a comparações com as grandes obras como o “Padrinho”, especialmente sendo este um filme a conseguir fazer lembrar o clássico filme de Coppola.

Em “Promessas Perigosas”, Cronenberg joga com a mente do espectador, trabalhando este thriller psicológico como um jogo de gato e rato, apresentando um argumento quase imaculado e sem falhas, deixando no ar um suspense notável.

Enquanto acompanhamos Anna - uma parteira de um hospital de Londres que fica bastante perturbada quando uma das suas pacientes morre durante o parto, procurando de seguida a familia da rapariga e do recém-nascido, a partir do diário da parturiente, totalmente escrito em russo – seguimos passo a passo os meandros da máfia, encarnados pelo simpático, ou não tanto, Semyon e o seu filho Kirill.

Cronenberg retrata de forma brilhante os meandros da facção dos Vory V Zakone presente na cidade de Londres, usando como fachada para negócios de prostituição e tráfico de drogas, um pacato restaurante familiar.

Este filme apresenta ainda uma das melhores interpretações de sempre do poliglota Viggo Mortensen, que aqui fala também um pouco de russo, como o motorista Nikolai, que deixa sempre um pouco um aspecto confuso quanto à sua personalidade, servindo como uma ponte entre o bem e o mal, sem ter um lado propriamente definido...

Vincent Cassel e Armin Mueller-Stahl estão também em excelente plano, cabendo a este último um papel de dualidade fantástico, deixando também sempre no ar aquela relação do espectador com a personagem de amor/ódio.

Este é assim um filme, onde Cronenberg utiliza o realismo crú e o noir para criar uma obra arrebatadora, com contornos de agressividade, dureza, violência – é comum a Cronenberg filmar o mundo real e não apresentar tudo demasiado floreado – mas que ao mesmo tempo é tocante, apaixonante e sentida...

Estamos, com esta obra-prima, perante um dos filmes do ano. Veremos a reacção da crítica à excelente interpretação de Mortensen, e à arrebatadora realização de Cronenberg...

publicado por FV às 19:41

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