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Dez 07

Turn on the Bright Lights (2002)

 

 

Lista de Músicas

1 Untitled

2 Obstacle 1

3 NYC

4 PDA

5 Say Hello to the Angels

6 Hands Away

7 Obstacle 2

8 Stella Was a Diver and She Was Always Down

9 Roland

10 The New

11 Leif Erikson

 

 

Falar de Interpol é difícil, assim como deve ter sido bastante complicado classificar e adjectivar os Joy Division quando estes começaram a dar os seus primeiros passos. A verdade é que por muito que se possa dizer de ambas, o seu mérito começa naquilo que lhes é comum: a imensidão de coisas que estão associados ao conceito de preto e branco, como se o seu mundo fosse apenas composto por estas cores, e pegando nesta premissa, criou-se um “universo” doloroso, profundamente penetrante, e igualmente lindíssimo. Exceptuando algumas semelhanças vocais, é aqui que o paralelismo entre os Interpol e os Joy Division acaba. Todos os adjectivos que se possam usar para descrevê-los serão os mesmos que utilizaremos para classificar várias bandas dos anos 90. Comparações à parte, quando Turn On the Bright Lights foi lançado, em 2002, desde o início que se sentiu que estávamos perante algo diferente e único, tal não eram a urgência e o fundamentalismo prementes nas suas letras. De facto, o primeiro álbum de originais da banda está repleto de emoções fortes, e embora os Interpol tenham sido postos no mesmo “saco” de outras bandas Nova Iorquinas, o que lhes valeu tremendas comparações com as mesmas, mas diga-se o que se disser, é inegável que este Turn On The Bright Lights é um álbum afectivo e poderoso. A perda e o arrependimento são os temas centrais do álbum, onde os riffs de guitarra dão o mote para despertar os mesmos – e embora não seja nenhum Ok Computer, e nem era este nunca o objectivo, pelo menos nesta altura em que os Interpol começavam a dar os seus primeiros passos, seria impensável a banda almejar voos tão altos nesta fase da sua carreira.

I will surprise you sometimes, I’ll come around when you’re down, é desta forma suave que o álbum começa em Untitled. O que chama a atenção neste Turn On the Bright Lights é que as suas letras são apelativas e assertivas, apoiadas pela forma aparentemente vacilante de cantar de Paul Banks, o que torna o álbum quase num paradoxo, visto que é maioritariamente depressivo, mas surpreendentemente refrescante e apelativo. As 11 faixas que o constituem evocam raiva e uma necessidade premente de soltar essa mesma raiva, imersa numa serenidade tremenda. Absorver toda esta complexidade e carga emocionais pode ser complicado, principalmente tendo em conta que somos confrontados com esta situação em todo o álbum, mas é precisamente este desafio que o torna tão interessante.

Analisar os altos e baixos deste Turn on the Bright Lights seria como procurar uma agulha no palheiro, dada a sua consistência, mas obviamente que existem músicas que sobressaem, duas das quais são aquelas que foram retiradas do EP, NYC mostra o amor incondicional pelas ruas da cidade natal dos Interpol e, conforme aconteceu no EP, os Interpol mostram do que são capazes em Obstacle 1 e The New. Obstacle 1 é a musica que mais faz lembrar Joy Division, onde os Interpol “encaixam” agressivamente na música, que contém surtos de agressão com imagens fortes e perturbadoras, como é exemplificado quando Banks diz “You’ll go stabbing yourself in the neck”. A tensão transmitida pelas guitarras é um contraponto, dando profundidade à musica através das suas várias “explosões”, tal como acontecia com os colapsos emocionais de Ian Curtis, que eram realçados pela aparente fragilidade da guitarra que os acompanhava. No momento em que Turn on the Bright Lights chega à penúltima faixa, The New, toda a raiva que até então parecia existir desaparece, deixando apenas o som calmo da aceitação consciente.

Resumindo, Turn on the Bright Lights foi um dos álbuns mais surpreendentes de 2002, e a descoberta dos Interpol foi uma experiência excepcional, que seria confirmada com os álbuns que se seguiram.

 

publicado por AS às 10:43

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