28
Dez 07

Antics (2004)

 

Lista de Musicas

 

1 Next Exit

2 Evil

3 Narc

4 Take You on a Cruise

5 Slow Hands

6 Not Even Jail

7 Public Pervert

8 C’mere

9 Length of Love

10 A Time to Be So Small

 

 

O álbum de estreia dos Interpol, Turn On the Bright Lights foi um marco não só na carreira da banda e no panorama do mundo Indie, mas também graças à enorme popularidade que alcançou colocou os Interpol numa situação complicada: se a banda cai, a sua humilhação vai ser enorme. Por isto, o segundo álbum tornava-se um dilema, pois o peso da responsabilidade era maior. Felizmente, os membros dos Interpol perceberam bem que não podiam ter como garantido aquilo que muitas outras bandas assumem como tal: a carreira de uma banda não se faz nem se destrói apenas pelo sucesso atingido pelo segundo álbum, um sucessor ideal não tem que necessariamente ser semelhante ao primeiro nem redefinir a sonoridade pré-estabelecida de forma a ser bem sucedido. A redefinição, no caso dos Interpol, não é um problema porque o que torna Turn on the Bright Lights único é a sua singularidade intemporal. Portanto, ficou esclarecido que o objectivo de Antics não era ser um Bright Lights 2. Os Interpol evitaram as armadilhas comuns, por não permitirem que a pressão que rodeava este lançamento os controlasse, bem como a posição ténue entre astúcia, auto-consciência e a diversificação necessárias retirassem a este álbum a abertura e plasticidade pretendidas.

Antics está envolto numa aura pesada que é visível no próprio art work do álbum, que vai desde fotos em tons de cinzento a pequenas frases escritas em Código Morse que representam partes dos nomes de algumas faixas (Length, Narc, Cruise, Exit, respectivamente).

O primeiro single retirado de Antics, Slow Hands faz lembrar o álbum de estreia dos Interpol e acaba por representar uma metáfora para Antics como um todo: Após reflectir durante o rescaldo de uma relação segura, tomada como garantida, Paul Banks pega no “peso” descrito em Obstacle 1 de Turn on the Bright Lights, retirando-o do seu coração e projectando-o para a mulher que presumivelmente provocou esse “peso”. No entanto, musicalmente, esta faixa está longe do que os Interpol tinham feito até então, reflectindo uma produção cuidada e um refrão (We spies/ We slow hands/ You put the weights all around yourself) semelhante aos usados em estilos Pós-Punk ou músicas mais dançáveis. Similarmente, Antics “joga” por antecipação, controlando expectativas desmesuradas, funcionando como uma colecção forte de singles do que como um álbum coeso e perfeito. E se até então os Interpol eram sinónimo de desolação emotiva, neste momento optaram por uma atitude de extrema resignação.

A faixa de abertura, Next Exit é imediatamente diferente; a progressão do órgão em conjunto com o ritmo marcado pela bateria anunciam uma banda diferente. É claramente notório que os Interpol mudaram, deixando o seu tom mais “casual”, para experimentar novas técnicas de mistura: o Baixo de Carlos D. e a guitarra de Daniel Kessler são parcialmente “silenciados” para dar espaço e realce à voz de Banks, permitindo-lhe explorar novos horizontes, conduzindo a banda a uma sonoridade mais Pop aliada a eloquência lírica. A voz de Paul Banks em faixas como Narc emerge onde outrora estava como que enterrada num nevoeiro impermeável, facto que era considerado por muitos, e até mesmo pelo próprio Banks, algo monótono, e estes conseguem apreciar melhor esta mudança de ritmo.

Embora a maioria das canções que constituem Antics revelem uma clara mudança de rumo, a progressão natural dos Interpol é evidente. Evil, por exemplo, tem um ritmo muito mexido para contrabalançar a sua letra ambiguamente desoladora. A banda revela algum auto-controlo em Narc, onde o sintetizador do órgão teria um papel de destaque, que acaba por ser atribuído à guitarra de Kessler e o trabalho de Carlos D. no baixo é quase imperceptível. O ritmo disco-pop de Lenght of Love inicialmente parece estar em desacordo com a excelente orquestração, mas este contra senso acaba por trazer um elemento dinâmico à limitada composição da música.

A banda não perde o cuidado e o brio para a exploração e construção épica, apesar de Take You On a Cruise, Not Even Jail e Public Pervert colocarem a secção do meio do álbum num patamar teatral e negro que foi a imagem de marca da estreia da banda, enquanto que a expansiva A Time to Be so Small, com o seu ritmo e imagem “cadavérica” faz com que Antics termine com uma espécie de inquietude macabra.

Embora os Interpol não pudessem esperar ultrapassar os alvos atingidos com o álbum anterior, é difícil imaginar um segundo álbum mais satisfatório do que este. Mas o que se torna de facto interessante é que a banda teve o cuidado e a sabedoria para ignorarem uma percepção reduzida da sua carreira, determinando que, Turn On the Bright Lights foi um audacioso salto de uma grande altura, enquanto que Antics é a crucial aterragem. Até mesmo neste aspecto a banda foi muito bem sucedida. No entanto, esta “libertação” enfatiza o aspecto que, no grande esquema que é a carreira dos Interpol, este é apenas um de uma série de bons álbuns. Antics mostra uns Interpol a libertar-se do peso da sua bagagem pesada e (felizmente) vieram para ficar.

 

publicado por AS às 10:47

Dezembro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12

16
17
20
21

23
25
26



pesquisar
 
mais sobre mim

AS

FV