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Mar 08

Sinopse: Into the Wild é baseado numa história verídica e no bestselling literário de Jon Krakauer. Depois de se graduar na Universidade de Emory em 1992, Christopher McCandless (Hirsch), estudante de topo e atleta, abandona as suas posses, oferecendo as suas poupanças de 24 mil dólares à caridade, para ir viver para o Alasca. Ao longo do seu caminho, Christopher encontra uma série de personagens que dão forma e sentido à sua vida.

 

Crítica: Quando em 1990 Christopher McCandless acaba a universidade a sua vida estava longe da normalidade. Obcecado com a ideia de tirania de expectativas da sociedade, definição de êxito e todo o materialismo que o rodeia, bem como procurando a sua própria identidade, decide doar todo o seu dinheiro à Oxfam e partir, abandonando tudo e todos, para uma busca espiritual.

Este filme acompanha essa busca, baseando-se no livro homónimo de Jon Krakauer, construindo o caminho de Crhis em flashbacks, enquanto acompanha os últimos dias no ‘Magic Bus’.

Ao longo da história Christopher decide reinventar-se através de uma vida de pureza e negação, abandonando o carro, o dinheiro e mudando de nome para Alexander Supertramp. Ao longo da sua viagem, irá encontrar personagens que, de uma forma ou de outra, o influenciam e são influenciadas por ele. Estes são os casos de Wayne, Rainey e Jan, e Ron, que inclusive o tentou adoptar. Estas são no fundo as personagens reais, as personagens vivas que relataram a história, e por isso Sean Penn optou por um cast de excelentes actores: Vince Vaughn, Brian Dieker e Catherine Keener, e Hal Holbrook – que mereceu uma nomeação ao Óscar.

No entanto, nenhuma destas personagens conseguiu segurar Chris… este passa a viver como eremita, recusando todos os prazeres, abraçando a natureza e equipando-se apenas para sobreviver.

Mas o mundo real, a natureza, filmada esplendidamente por Sean Penn, são muito duros p’ra Chris, tornando-se por vezes implacável, selvagem e assustadora a viagem de descoberta…

Este é um filme que nos deixa a reflectir… sobre o porquê de todos os materialismos da sociedade, se valerá a pena buscar a felicidade fora dos parâmetros sociais. Chris (cujo diário também é fonte) surge aqui a reflectir nessa ideia, em rebelião contra os pais, em afastamento incompreensível diga-se, da sua irmã Carine, que era a única que aceitava a sua mudança, descoberta e luta… nunca conseguindo entender o porquê do afastamento total e das motivações do irmão.

Nestas 3 personagens, Sean Penn apostou em Márcia Gay Harden que cumpre bem o papel de mãe sofredora, Jena Malone, que narra a história com imensa emoção, e William Hurt, que se constrói ao longo da história, desmoronando-se nos últimos minutos, numa interpretação intensíssima e poderosa…

Mas, Sean Penn “apaixonou-se” por Chris, fragilizando um pouco a sua película com isso…sendo no entanto fácil a compreensão da necessidade de fuga, da ausência de pessoas, do silêncio. Mas, não será necessário quebrar todas as barreiras como Chris (ou Emile Hirsch, num trabalho fenomenal, com imenso esforço físico), afastando-se de tudo e todos… especialmente de quem o ama.

Os momentos de desespero dos pais, irmã e companheiros do caminho, fazem-nos ter raiva de Chris, por não ter tido a coragem de regressar, de parar, de contactar os entes queridos…

No entanto, dá-nos vontade de por vezes arriscar mais e viver, com a coragem que Chris teve, p’ra se libertar de tudo o que nos rodeia…

publicado por FV às 15:14

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