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Mar 08

 

Sinopse: Michael Clayton (George Clooney) é uma espécie de “polivalente” numa das maiores firmas de direito das sociedades em Nova-Iorque, encarregando-se dos trabalhos sujos da empresa; limpa a “porcaria” que os clientes da Kenner, Bach & Ledeen, desde atropelamentos e fuga, a histórias pouco abonatórias se forem contadas nos Media, até mulheres que roubam lojas a políticos corruptos. Embora esteja insatisfeito com o seu trabalho, a sua lealdade à empresa e ao seu chefe Marty Bach (Sydney Pollack), fazem Clayton continuar. Até ao dia em que a empresa Agro – Química U/North, principalmente através da responsável de consultadoria Karen Crowder (Tilda Swinton), depende do acordo que a Keener, Bach & Ledeen estão prestes a alcançar, e ao que tudo indica, a conduzir para um brilhante desfecho. Mas os problemas começam a surgir quando o advogado encarregue do caso e um dos melhores da empresa, Arthur Edens (Tom Wilkinson), sofre de um aparente esgotamento e tenta sabotar as provas do caso. Marty Bach envia Michael Clayton para resolver este grave problema, e ao fazê-lo, Clayton vê-se confrontado com a realidade da pessoa em que a sua profissão o transformou.

Critica: Tony Gilroy, responsável pela trilogia Bourne, cria um thriller intenso e consistente, um relato dos jogos de poder e cumplicidade entre as empresas multinacionais e as firmas que as protegem, com um forte conteúdo político-social, fazendo uma critica à Sociedade Americana, cada vez mais corroída pelos grandes interesses dos grandes agentes económicos, cujo maior obstáculo torna-se a consciência de cada individuo.

George Clooney interpreta o papel principal, e dá mais uma prova que está no seu melhor neste tipo de papel. Syriana já tinha mostrado a capacidade de Clooney para papéis sérios e, de certa forma, polémicos, e Michael Clayton vem cimentar esta faceta de Clooney. A história começa mostrando a crise de uma multinacional (U-North), com os seus representantes legais a encarar um whistle blower (expressão dada às pessoas que fazem parte da corporação e que decidem colocá-la em causa), devido às manobras suspeitas da empresa. No centro desta polémica está um dos melhores advogados, Arthur Edens (Tom Wilkinson), que, com um discurso inflamado e com comportamentos aparentemente insanos, colocou-se contra a companhia que antes representava, ficando do lado dos queixosos. Dado este drama, e tendo em conta que Clayton é amigo de Arthur, fica responsável por tentar demover Arthur da sua conduta, procurando, mais uma vez defender os interesses da firma para a qual trabalha. Mas, quando nada o fazia prever, Clayton vai sendo contagiado pelas acções de Arthur, vendo-se confrontado com a sua própria consciência, aliada à rotura existente na sua vida pessoal, visto que é divorciado com um filho com quem passa muito pouco tempo; as dificuldades financeiras causadas por um dos seus irmãos, obrigam Clayton a ter que escolher o caminho e as decisões que tem que tomar. É nesta densidade de escolhas que cada personagem é obrigada a fazer que torna este filme um excelente trabalho na concepção do argumento, onde todos os fios condutores da narrativa nunca se perdem, conduzindo a um enredo eficaz, que não se dispersa.

Do lado da U-North está a sua representante Karen Crowder (Tilda Swinton), alguém aparentemente comum, mas de uma ambição enorme, movida por essa ambição e pelo dinheiro, e vendo na crise criada por Arthur um enorme obstáculo, começa a tomar medidas desesperadas. A sua interpretação sólida, credível e brilhante valeu-lhe o Óscar de Melhor Actriz Secundária.

Por tudo isto, Michael Clayton é um filme que vale pelo seu colectivo: Enredo, Actores e Técnicos, tornando-se uma das referências cinematográficas de 2008!

publicado por AS às 15:46

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