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Sinopse: Dominic Matei (Tim Roth) é um professor de linguística com 70 anos. Fulminado por um relâmpago, sobrevive miraculosamente. No hospital, enquanto recupera, os médicos assistem com incredibilidade ao rejuvenescimento físico do professor. O rejuvenescimento físico é acompanhado por um desenvolvimento intelectual inexplicável que chama a atenção de cientistas nazis, obrigando o professor a exilar-se. Em fuga, Dominic reencontra Laura - o amor da sua vida - e luta para terminar a sua tese sobre as origens da linguagem humana. Mas quando a sua pesquisa ameaça a existência de Laura, Dominic é forçado a escolher entre o trabalho de uma vida ou o seu grande amor.

 

Crítica: 10 anos depois, Francis Ford Coppola regressa à realização, abordando a temática do rejuvenescimento – tal como havia feito em “Jack” (1996)- com o mesmo romantismo, e curiosamente no mesmo país da sua excelente obra “Dracula” (1992).

 No domingo de Páscoa de 1938, na Roménia, Dominic Matei (Tim Roth) atravessa a praça de Bucareste, com 70 anos e depois de dedicar toda a vida a estudar a origem da linguagem para um livro que nunca chegou a acabar, decidido a suicidar-se. No entanto, tudo muda, quando é atingido por um raio, sobrevivendo miraculosamente. Depois deste acidente, sob o olhar curioso do Professor Stanciulescu (Bruno Ganz), Dominic revela-se um homem de 40 anos. Durante a sua recuperação, Dominic começa a ser atormentado por recordações de Laura (Alexandra Maria Lara), o seu grande amor, e por um duplo de si mesmo que o questiona e desafia.

Nesta dualidade de personagem, Tim Roth encontra-se fantástico, conseguindo por vezes confundir a plateia, e fazendo crer que de facto estão duas pessoas a contracenar.

Depois de conseguir recuperar a sua memória e de se questionar a si próprio, Dominic começa a despertar o interesse dos cientistas do Terceiro Reich, nomeadamente o Dr. Josef Rudolf (Andre M. Hennicke), que leva a cabo experiências sobre os efeitos da alta voltagem em animais.

No entanto, Dominic consegue fugir para a Suiça, onde prossegue a sua investigação, conseguindo escapar aos nazis graças aos seus poderes especiais na absorção de conhecimentos e de telecinesia. Anos depois, ele conhece Veronica (Alexandra Maria Lara), um duplo de Laura que, após um incidente idêntico ao de Dominic, começa a ter episódios de regressão, nos quais assume vidas anteriores nos quais usa linguagens cada vez mais antigas.

Nestas regressões Alexandra Maria Lara mostra-se como uma actriz fantástica, que está a despontar rapidamente, emergindo do cinema europeu para Hollywood, aqui com uma das melhores interpretações femininas do ano.

 “Youth Without Youth” é um regresso de Coppola num ambiente diferente, com apetência pelo fantástico e pela magia, contendo o grande envolvimento pessoal do realizador. Coppola produz um filme repleto de fragmentos que se vão juntando aos poucos, nas regressões de Veronica.

Nesta película Coppola utiliza diversos símbolos: o rejuvenescimento é identificado com a sede de conhecimento, enquanto o passado como obsessão. São também utilizadas diversas metáforas, com os espelhos, rosas e chapéus-de-chuva, ao estilo de film noir.

Coppola leva-nos a meditar, questionando o tempo, a memória e o facto de cada um de nós ser na realidade duas pessoas, uma criança e um idoso, que passam a vida a reconciliar-se, sendo a vitória repartida ao longo da vida, por ambas.

publicado por FV às 17:32

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