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Ago 09
Sinopse: Perante a diversidade actual dos modelos familiares, fará sentido continuar a falar da importância da família? Os valores que cimentaram a História de uma geração devem ser esquecidos ou, pelo contrário, transmitidos aos mais novos? A fragmentação de muitos casais pelo processo de divórcio conduz sempre a um corte emocional com a família alargada, ou pode proporcionar uma reflexão sobre a continuidade dos elos significativos através das diversas gerações?
Qual o papel dos avós: transmissores de afectos sem regras ou, pelo contrário, a garantia de continuidade da família? Como se pode educar nos tempos de hoje, em que alguns reclamam mais autoridade e outros parecem recear a palavra?
Há alguns anos que leio os livros de Daniel Sampaio, mas este “A Razão dos Avós” foi dos que maior curiosidade me despertou, talvez causada pelo facto de eu nunca ter conhecido os meus avós, e por isso, ter perdido o contacto com esta figura tão importante no seio da família.
O autor usou um pouco das suas memórias, tentando pegar no exemplo de vida que era a sua avó, mostrando a influência que esta teve no desenvolvimento do seio familiar. Mas, mais do que um relato familiar, A Razão dos Avós é, acima de tudo, uma reflexão sobre a mentalidade dos nossos tempos.
Aliás, neste aspecto os autores (Daniel Sampaio e Eulália Barros) comentam a forma como os valores passam de geração para geração, e o descrédito que por vezes é dado aos mais velhos faz com que esta passagem se perca.
O que se torna mais curioso verificar é que muitas das experiências vividas por Daniel Sampaio batem certo com as nossas experiências familiares, mesmo havendo uma diferença tão grande entre ambas. Aliás, poucos dos que lêem este livro podem dizer que tem um irmão que foi Presidente da República ou um pai que foi Director Geral e um dos fundadores da Direcção Geral da Saúde, entre muitos outros antepassados que desempenharam papéis importantes a nível político e social. Mesmo assim damos por nós a constatar que este ou aquele conceito, esta ou aquela experiência, fazem todo o sentido, porque nos conseguimos identificar com situações de alguma forma semelhantes ou que foram vividas por outros antes de nós.  
Num breve resumo, aqui fica uma citação a reter: “Pais e avós querem-se imperfeitos, tentando fazer o melhor possível, mas nunca com o objectivo de serem os melhores de todos. Esse deve ser o caminho a seguir.”
O ensaio terá, como é óbvio, leituras diferentes consoante seja lido por avós, por pais e até mesmo por filhos. E, em cada um, consoante a respectiva experiência de vida, julgo que contém muitas e variadas pistas para que os seus leitores dele retirem conclusões com interesse para a “organização” da forma como vêem as suas famílias. E, a mim, de facto, fez-me ter ainda mais pena de não poder contar experiências passadas com os meus avós. No entanto, hoje constato a passagem dos meus pais para avós e todas as mudanças de comportamento que tem para estarem com as netas!
publicado por AS às 23:00

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