28
Jun 07

 

Sinopse: Ted Crawford (Anthony Hopkins) é um engenheiro de estruturas que, depois de descobrir que a sua mulher, Jennifer (Embeth Davidtz), está a ter um caso com outro homem, lhe dá um tiro na cabeça e confessa o seu crime à polícia. Willy Beachum (Ryan Gosling) é o promotor público a quem é entregue o caso, um jovem ambicioso que está prestes a passar para uma grande empresa e para o dinheiro do direito corporativo. O caso parece simples, existe uma confissão verbal e outra assinada, bem como a arma do crime. Mas nem tudo é o que parece, começando pelo facto do detective que toma conta do assassinato, Rob Nunally (Billy Burke), ser o amante da vítima.

 

Crítica: O realizador Gregory Hoblit constrói um thriller cheio de jogos mentais, muito ao jeito de Anthony Hopkins, que se encontra de um lado da barricada, como um homem com a capacidade de descobrir as mínimas falhas numa construção maciça e que desenha um plano meticuloso onde a ausência de provas impossibilita a sua condenação. Hopkins é um mestre na frieza calculista e na intimidação e compreende-se na perfeição a sua escolha. O seu olhar, a sua frieza calculista que apresenta… enchem o ecrã de cada vez que surge em cena. Do outro lado, encontramos Ryan Gosling, um talento a despontar, a nomeação surpresa para os Óscares 2007, que possui uma presença e expressividade capazes de equilibrar a balança do veterano, um homem lutando com o seu próprio ego e obrigado a fazer escolhas morais cada vez mais difíceis.

 

O argumento está bem estruturado, com os já habituais twists que nos vão prendendo à medida que são construídos e apresentados desafios progressivamente maiores, e permitindo uma agradável disputa de intelectos. Nota mais negativa para o romance entre Willy Beachum e Nikki Garner (Rosamund Pike), a sugerir uma tentativa de maior aceitação comercial do filme, soando por vezes forçado e exagerado, perdendo o excelente fio condutor do filme.

 

De referir também as excelentes tiradas de David Straitham, enquanto o chefe de Gosling, e o muito bom desempenho de Billy Burke, especialmente o ar perturbado com que nos brinda em algumas das cenas mais dramáticas.

 

Todos nós temos alguma fraqueza, pequenas imperfeições, fissuras no nosso carácter que podem servir de arma para outros. Negá-las é pura arrogância. Não é à toa que quem melhor nos conhece é também quem mais nos pode ferir.

 

publicado por FV às 14:31

Junho 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
15

17
18
19

24
25
26


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

pesquisar
 
mais sobre mim

AS

FV