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Nov 06

É com alguma estranheza e nostalgia à mistura que falo duma banda que, não só tem tantos anos de carreira quanto eu de vida, como também é uma das minhas referências musicais. Falo, obviamente, dos GNR, e do fantástico concerto de ontem, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Foram duas horas electrizantes, com os GNR a mostrarem que estão vivos e de boa saúde, e que o público, composto por várias faixas etárias, ao fim de tantos anos, ainda tem as letras na ponta da língua, e que lhes continua fiel.

O espectáculo começou, inesperadamente, com The Legendary Tiger Man a interpretar, sozinho na frente do palco, “Portugal na CEE”, o primeiro single da banda do Porto, originalmente interpretado por Alexandre Soares. Paulo Furtado foi o mestre-de-cerimónias ao apresentar o Grupo Novo Rock. Cada um ao seu estilo – Rui Reininho, Jorge Romão e António “Toli” Machado não esconderam a alegria de ver o coliseu cheio até aos píncaros.

Foi com a interpretação da excelente “Popless” que os GNR abrem o concerto, que não só surpreendeu pela forma como foi interpretada mas principalmente em termos visuais. Há muito que não víamos os GNR num espaço fechado e em dia de festa não faltaram os efeitos de luzes nem os ecrãs no cenário nem a passadeira para chegar ao público “à-la-Rolling-Stones”. Depois de “Sexta-Feira” ouve-se “Morte ao Sol” e o tempo começa a pesar. Afinal, já passaram mais de 15 anos da edição deste tema em “Valsa dos Detectives”! E o público parecia cada vez gostar mais do concerto.  

Enquanto Jorge Romão percorria o palco em todo o comprimento, imparável como sempre nos habituou, e Toli Machado se concentrava discreto na sua guitarra ou acordeão, Rui Reininho fitava o público com a sua pose imponente à medida que ia mandando as suas farpas, cada vez mais sofisticadas. Acompanhados por três músicos (bateria, guitarra e teclas), os GNR adaptaram alguns temas e em “Pronúncia do Norte” em vez de “Os tontos chamam-lhe torpe” Reininho cantou “Os tontos chamam-lhe spot”; ou em “Sub-16” do “o desgosto de vestir-te como os DJs” passou a “bom gosto”.

“Espelho Meu” traz mais um convidado ao palco, NBC dos “Revistados”. A partir deste momento, sentia-se que o concerto aumentava de qualidade e a ligação entre a banda e o público era cada vez mais forte, muito graças à interpretação de mais um clássico “Dama ou Tigre”. “Hardcore”, traz novamente ao palco, The Legendary Tiger Man, desta vez para tocar guitarra, e no final desta música, obteve o agradecimento por parte de Rui Reininho que, em nome da banda, contou ao público que Paulo Furtado tinha feito 300 kilómetros para poder estar presente e tocar com os GNR. O público, como não poderia deixar de ser, agradeceu-lhe o gesto com uma enorme salva de palmas.

Seguiram-se “Canadadá”, “+Vale Nunca” e a mais alcoólica de sempre “Piloto Automático”. “Bem-Vindo ao Passado” trouxe de novo ao palco NBC, que, na minha opinião foi a interpretação mais fraca da noite, não por falta de qualidade deste ou do esforço que fez de comunicar com o público, neste aspecto foi extraordinário, mas porque cantou a música numa versão “Rap”, que lhe deu uma forma estranha, mal se percebendo o que este dizia. Seguidamente, Reininho cantou o clássico de Roberto Carlos, “Quero que vá tudo pró inferno”, o que pôs o público a dançar.

A última convidada a entrar em cena foi Sónia Tavares dos The Gift, e “as covinhas mais sexys do rock’n’roll”, como Rui Reininho carinhosamente a chamou,  impôs o silêncio na sala ao interpretar brilhantemente “Valsa dos Detectives”, uma das minhas músicas preferidas de sempre e, depois em dueto com Reininho, “Asas”.

Sozinho em palco, sem o baixo e com um berimbau (instrumento usado nas rodas de capoeira), Jorge Romão deu um cheirinho de samba aos presentes antes do primeiro encore, aproveitando para incentivar o público a cantar os parabéns.

Rui Reininho cantou os eternos “Sub-16”, “Dunas” e “Sangue Oculto”. Ao segundo encore, “Ana Lee” e “Homem-Mau”, a fechar com chave de ouro uma noite que irá ficar eternamente na memória de todos os que estiveram presentes.

Quase duas horas depois, os GNR mostraram que ainda têm muito caminho pela frente e com a renovação do público tudo pode acontecer. Para quem cresceu a ouvir “Efectivamente” ou “Dunas” foi a constatação de que já se passaram mais de 20 anos sobre aquelas canções e do nosso tempo de vida. Fica a prova que os GNR são um projecto para continuar, com um novo álbum de originais prometido para 2007. Aliás, Rui Reininho afirmou uma vez em entrevista que só pára “quando deixar de provocar as pessoas deixa de fazer sentido. Para mim é a pior das mortes”. Esperemos então que continue a provocar as pessoas por muitos e longos anos!

Set list do concerto: Portugal na CEE – com Tigerman, Popless, Sexta feira, Morte ao Sol, ContinuaAcção, Pronúncia do Norte, Espelho Meu com NBC, Dama ou Tigre, Quando o Telefone pecca, Hardcore – com Tigerman, Canadadá, + Vale Nunca, Piloto Automático, Bem vindo ao passado – com NBC, Quero que vá tudo pró inferno, Efectivamente, Valsa dos Detectives – Sónia Tavares, Asas – com Sónia Tavares, Sub-16, Dunas, Sangue Oculto, Ana Lee e Homem Mau.

publicado por AS às 15:26

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