06
Jun 08

Sinopse: A mais recente aventura de Indiana Jones tem o seu início no Sudoeste desértico, em 1957 - no auge da Guerra Fria. Indy e o seu companheiro Mac (Ray Winstone) escaparam por pouco a um confronto com maléficos agentes soviéticos, num aeródromo remoto. Agora, o Professor Jones voltou a casa, à Faculdade Marshall - para descobrir que as coisas foram de mal a pior. O seu amigo íntimo e reitor da faculdade (Jim Broadbent) explica que as recentes actividades de Indy o tornaram suspeito e o governo começou a pressionar o estabelecimento de ensino para despedi-lo. Ao sair da cidade, Indiana encontra o rebelde e jovem Mutt (Shia LaBeouf), que guarda um certo rancor contra o arqueólogo aventureiro, mas que lhe traz uma proposta: se ele ajudar Mutt numa missão de carácter intimamente pessoal, Indy pode muito bem fazer uma das mais espectaculares descobertas arqueológicas da história – a Caveira de Cristal de Akator, um lendário objecto de fascínio, superstição e terror...

 

Crítica: 19 anos depois da última aventura, o verdadeiro herói, o verdadeiro arqueólogo, que nos fez ter vontade de o ser em crianças… regressou para mais um rol de fugas, descobertas, mistérios … Nesta nova aventura, passada na guerra fria, com vilões temíveis como Irina Spalko (mais uma interpretação – e transfiguração – genial de Cate Blanchett), Harrison Ford mostra que velhos são os trapos, estando ainda bem à altura da aventura, embora claro, com menos velocidade, mais grisalho… mas mesmo assim apto para todos os desafios de interpretar Indiana Jones mais uma vez. Uma nota também para os argumentistas que colocam Ford a brincar com o facto de estar mais velho, cansado e mais lento… dando um toque de clássico ao épico que se tornou Indy. Shia LaBeouf apresenta-se aqui também em muito bom plano como Mutt, tendo uma química impressionante com Harrison Ford, o que depressa facilita as cenas de acção da película, onde ambos estão enérgicos, a saltar, correr, balançar em cordas, saltar de carros… Uma excelente surpresa, este filme, este regresso do eterno herói de aventuras, com Harrison Ford em muito boa forma, Shia LaBeouf a surpreender, Cate Blanchett ao seu nível, John Hurt com um papel e interpretação fantásticos. Spielberg e Lucas mostram também que devem continuar a trabalhar juntos, pois o resultado é sempre algo de memorável. No entanto, houve um momento que poderia ter “destruído” o argumento: a ligação a Roswell e aos E.T.’s. Felizmente, os argumentistas souberam bem contornar essa ligação da melhor forma, dando uma explicação plausível e coerente, funcionando no final tudo isso em pleno. A banda sonora que acompanha a película é também muito boa, remetendo para os anos 80 (onde Spielberg, Lucas e Ford foram “reis”), e tendo claro o fantástico “tan tan tan tan… tan tan tan”. No geral, um bom regresso do arqueólogo mais famoso do mundo. Ficamos para ver onde nos vão levar os novos mundos aqui representados…

publicado por FV às 12:17

07
Mai 08

 

 

Sinopse: Elizabeth (Norah Jones), uma jovem mulher desencantada, embarca numa viagem de reencontro emocional para esquecer um coração partido. À medida que as feridas emocionais começam a desaparecer, as experiências de Elizabeth com uma série de estranhos levam-na a novos e inesperados capítulos na sua vida. Dos devaneios poéticos do proprietário de um café (Jude Law), às propostas desesperadas de uma jogadora numa maré de azar (Natalie Portman), ao laço quebrado entre um polícia perturbado (David Strathairn) e a sua rebelde esposa (Rachel Weisz), estes indivíduos redefinem a perspectiva de Elizabeth sobre a vida, os relacionamentos e finalmente a sua própria identidade. Lentamente, Elizabeth começa a desligar-se do passado descobrindo um novo caminho para si - em direcção ao verdadeiro amor.

 

 

Crítica: Wong Kar Wai filma um road movie quase perfeito, com Norah Jones numa estreia em grande. Enquanto Elizabeth (Norah Jones) caminha pelos EUA, vai-se conhecendo a si própria, e conhecendo personagens que a irão sempre influenciar de uma forma ou de outra.

No café de Jeremy (Jude Law) ela é tentada a provar a tarde de mirtilo, aquela que todos os dias é deixada intacta, criando uma relação que depressa se aprofunda com encontros regulares. Na sua viagem, ela passa por Memphis, onde arranja trabalho como empregada de mesa e conhece Arnie Copeland (David Strathairn), um polícia alcoólico abandonado pela mulher Sue Lynne (Rachel Weisz), e por Las Vegas, onde empresta dinheiro a Leslie (Natalie Portman), uma jogadora inveterada que lhe dá o seu carro como garantia.

Kar Wai apresenta nesta película um domínio estético fantástico, tendo o argumento no entanto ficado um pouco aquém dos seus antecessores  “In the Mood for Love” ou “2046”.

No entanto, Elizabeth, a personagem de Norah Jones, irá-se descobrir através da observação de diversos casos diferentes que vai acompanhando na estrada por onde passa.

Aliás, estas histórias paralelas poderiam dar algumas delas, um filme, como são os casos das histórias por trás de Leslie (Natalie Portman) ou Sue Lynne (Rachek Weisz), ambas com interpretações fantásticas, tal como David Strathairn.

Chan Marshall (aka Cat Power) faz um cameo como a russa Katya, estando bastante bem, tendo enorme “química” com Jude Law.

A banda sonora deste filme é também fantástica, com grandes músicas da mesma Cat Power e também de Norah Jones.

O espaço americano, nas suas paisagens grandes e despojadas ou dos restaurantes pequenos e familiares, serve um pouco como metáfora para o crescimento e desprendimento de Elizabeth, fazendo a ponte entre a road-trip externa e interna, que a sua personagem tem ao longo do filme.

 

publicado por FV às 20:34

01
Mai 08

 

 

Sinopse: Dominic Matei (Tim Roth) é um professor de linguística com 70 anos. Fulminado por um relâmpago, sobrevive miraculosamente. No hospital, enquanto recupera, os médicos assistem com incredibilidade ao rejuvenescimento físico do professor. O rejuvenescimento físico é acompanhado por um desenvolvimento intelectual inexplicável que chama a atenção de cientistas nazis, obrigando o professor a exilar-se. Em fuga, Dominic reencontra Laura - o amor da sua vida - e luta para terminar a sua tese sobre as origens da linguagem humana. Mas quando a sua pesquisa ameaça a existência de Laura, Dominic é forçado a escolher entre o trabalho de uma vida ou o seu grande amor.

 

Crítica: 10 anos depois, Francis Ford Coppola regressa à realização, abordando a temática do rejuvenescimento – tal como havia feito em “Jack” (1996)- com o mesmo romantismo, e curiosamente no mesmo país da sua excelente obra “Dracula” (1992).

 No domingo de Páscoa de 1938, na Roménia, Dominic Matei (Tim Roth) atravessa a praça de Bucareste, com 70 anos e depois de dedicar toda a vida a estudar a origem da linguagem para um livro que nunca chegou a acabar, decidido a suicidar-se. No entanto, tudo muda, quando é atingido por um raio, sobrevivendo miraculosamente. Depois deste acidente, sob o olhar curioso do Professor Stanciulescu (Bruno Ganz), Dominic revela-se um homem de 40 anos. Durante a sua recuperação, Dominic começa a ser atormentado por recordações de Laura (Alexandra Maria Lara), o seu grande amor, e por um duplo de si mesmo que o questiona e desafia.

Nesta dualidade de personagem, Tim Roth encontra-se fantástico, conseguindo por vezes confundir a plateia, e fazendo crer que de facto estão duas pessoas a contracenar.

Depois de conseguir recuperar a sua memória e de se questionar a si próprio, Dominic começa a despertar o interesse dos cientistas do Terceiro Reich, nomeadamente o Dr. Josef Rudolf (Andre M. Hennicke), que leva a cabo experiências sobre os efeitos da alta voltagem em animais.

No entanto, Dominic consegue fugir para a Suiça, onde prossegue a sua investigação, conseguindo escapar aos nazis graças aos seus poderes especiais na absorção de conhecimentos e de telecinesia. Anos depois, ele conhece Veronica (Alexandra Maria Lara), um duplo de Laura que, após um incidente idêntico ao de Dominic, começa a ter episódios de regressão, nos quais assume vidas anteriores nos quais usa linguagens cada vez mais antigas.

Nestas regressões Alexandra Maria Lara mostra-se como uma actriz fantástica, que está a despontar rapidamente, emergindo do cinema europeu para Hollywood, aqui com uma das melhores interpretações femininas do ano.

 “Youth Without Youth” é um regresso de Coppola num ambiente diferente, com apetência pelo fantástico e pela magia, contendo o grande envolvimento pessoal do realizador. Coppola produz um filme repleto de fragmentos que se vão juntando aos poucos, nas regressões de Veronica.

Nesta película Coppola utiliza diversos símbolos: o rejuvenescimento é identificado com a sede de conhecimento, enquanto o passado como obsessão. São também utilizadas diversas metáforas, com os espelhos, rosas e chapéus-de-chuva, ao estilo de film noir.

Coppola leva-nos a meditar, questionando o tempo, a memória e o facto de cada um de nós ser na realidade duas pessoas, uma criança e um idoso, que passam a vida a reconciliar-se, sendo a vitória repartida ao longo da vida, por ambas.

publicado por FV às 17:32

11
Abr 08

                                                         

Sinopse: Duas irmãs, Ana e Maria Bolena (Natalie Portman e Scarlett Johansson, respectivamente), são manipuladas pelo pai e pelo tio para reforçar o poder e melhorar o status da família, através da conquista dos favores do Rei de Inglaterra, Henrique VIII (Eric Bana), cujo matrimónio atravessa uma crise, em grande parte devido à Rainha, Catarina de Aragão não conseguir dar um filho varão ao Rei, pondo em risco a continuação do Reino.

Com um intuito de “cumprir” este desejo do Rei, as duas irmãs abandonam a sua vida simples e campestre, entrando numa perigosa e excitante vida na corte, só que aquilo que inicialmente seria uma forma de ajudar a família, depressa se torna numa rivalidade impiedosa entre Ana e Maria pelo amor do Rei. Será que os laços familiares prevalecerão ou a disputa pelo mesmo homem será superior?

 

Critica: A História Britânica, desde a revolução levada a cabo por Henrique VIII e a defesa do legado por parte da sua filha, a Rainha Elizabeth, iniciou um período de reformas para a Inglaterra que influenciou o resto do mundo, e esta era fascinante e turbulenta continua a inspirar gerações de cineastas. Este Duas Irmãs, um Rei centra-se nas promiscuidades amorosas de Henrique VIII e nas relações que ele manteve com as irmãs Bolena.

O filme faz uma reconstituição histórica credível se tivermos em conta que o tema a explorar é a relação amorosa e não tanto as consequências desta. De destacar então temos um excelente guarda-roupa e a performance de Natalie Portman. Não é com certeza o seu melhor papel, mas desempenha-o suficientemente bem para convencer os mais cépticos. Sobre ela estava um peso maior no filme, visto que era a escolhida pela família para seduzir o Rei, sendo ela a irmã mais ambiciosa, uma autêntica serpente, que ao se tornar a causa da perdição do Rei motivou uma clivagem politica, tanto interna como externa, em Inglaterra. Johansson aparece mais discreta, em parte porque representava a irmã mais discreta e simples, que acabou por ser arrastada para uma teia em que nunca quis estar, mas que no entanto, desempenhou um papel importante no desenrolar da história. Eric Bana, por sua vez, mostrou as indefinições, a demência e a personalidade do Rei Henrique VIII, e as reacções que as irmãs Bolena lhe provocavam.

O ponto fraco deste filme é a forma como o conflito entre as duas irmãs foi abordado, isto porque tendo em conta a gravidade da situação, a abordagem é demasiado ligeira e ténue e o único momento onde de facto parece existir uma ligação sanguínea é na sequência final do filme.
publicado por AS às 16:36

08
Abr 08

Sinopse: O último filme do inovador realizador James Wan, é uma clássica história de vingança. Nick Hume (Kevin Bacon) é um calmo executivo com uma vida perfeita, até que numa noite terrível ele testemunha algo que o mudará para sempre. Transformado pela dor, Hume chega afinal à perturbante conclusão que nada pode ser mais importante do que proteger a sua família.

 

Crítica: O que faria se visse o seu filho ser assassinado por um gang à sua frente? O que faria se, mesmo sabendo que erra, este filho fosse o seu “favorito”? O que faria se soubesse que o fizeram just for the fun e p’ra se integrarem no mundo do gang?

São estas perguntas que Nick Hume (Bacon), um executivo bem sucedido de uma família quase perfeita, faz a si próprio, quando assiste à morte do seu filho, que era um bem sucedido jogador de hóquei podendo vir a ser profissional, às mãos de um gang naquilo que ele próprio vê como um assalto mas que no fundo não era bem isso…

Um filme com muita violência, num ritmo frenético, onde é visível a falta de coordenação, organização e muitas vezes credibilidade, dos tribunais e polícia, que levam a Nick tomar as rédeas do assunto e motivar uma guerra difícil de vencer e que lhe trás muitas amarguras…

Nick, aqui interpretado por Kevin Bacon (mais uma excelente prestação deste grande actor) é um personagem que acaba por ser “acarinhado” pelo público, sentindo a grande maioria de nós a revolta que o assola. A sua vendetta pessoal leva-o por caminhos tortuosos que qualquer um de nós, na mesma situação, poderia bem encontrar…

É neste “protótipo” de vigilante, pai de família a procurar vingança, que se encaixa esta película, muito bem realizada – de notar a ausência de exageros típicos neste género de filme, no cinema americano, como são exemplos as explosões, mortes absurdas e tiroteios completamente estapafúrdios.

Mais uma palavra para referir que Kevin Bacon tem momentos geniais completamente a fazer lembrar De Niro, em Táxi Driver, assim como a realização a lembrar os clássicos de Charles Bronson, bem como jogos de computador, como por exemplo Max Payne.

No global, uma película forte, tocante, mas repleta de acção, momentos de comédia, tensão… e sem o habitual exagero do cinema norte-americano, que acaba por retirar algum do valor e mérito às películas deste género.

 

publicado por FV às 12:07

01
Abr 08

Sinopse: Tracey Berkowitz, de quinze anos, está nua sob uma cortina de chuveiro na parte de trás de um autocarro, à procura do seu irmão Sonny, que pensa que é um cão. O percurso de Tracey leva-nos para o interior escuro da cidade, para a latrina emocional do seu lar, pela brutalidade da sua escola secundária, os jogos clínicos de gato e de rato com o seu psicólogo e as suas fantasias voadoras com Billy Zero - o seu namorado e salvador do Rock'n'Roll. As suas viagens também a põem em contacto com os habitantes mais desligados. Como Lance, aquele que seria o seu salvador mas que acaba por meter a sua vida em perigo. A história de Tracey começa a cruzar a verdade com mentiras, esperança com desespero enquanto nos aproximamos da verdade de como Sonny desapareceu...

 

Crítica: Esta é uma história de uma adolescência problemática, de uma família com problemas, de retalhos, fragmentos, da vida de uma jovem adolescente deslocada e com uma família que funciona como latrina emocional.

E nestes fragmentos, filmados em partes do ecrã, Ellen Page ocupa todo o plateau, fazendo o espectador esquecer a forma original e bastante interessante com que Bruce McDonald filma a película.

A fragmentação da película é um dos pontos fortes da mesma, embora por vezes possa tornar o visionamento confuso… a forma como a história se desenrola, com fast-forwards e rewinds, permite-nos por vezes acompanhar diversos planos de espaço/tempo, bem como pontos de vista de diferentes personagens.

No meio da fragmentação e de alguma confusão, que poderá surgir, acompanhamos o desenrolar de uma busca de Tracey pelo irmão Sonny, e por si mesma, numa viagem que a leva a locais menos próprios, sempre acompanha (pelo menos em fantasia…) pelo seu “namorado” Billy Zero…

Ellen Page encarna de forma incrível – p’ra alguém tão jovem – esta personagem confusa, deslocada, perdida no meio de um mundo que não sente seu, de uma família completamente disfuncional. Família essa que, no fundo serve apenas como “adereço” da película e como forma de enquadramento dos mundos que Tracey acompanha e o porquê da sua confusão. Sem dúvida que, a continuar a este nível a jovem Ellen Page continuará na mó de cima do cinema, regressando como nomeada ao Kodak Theatre em breve, e quem sabe levando a estatueta da próxima vez que lá comparecer…

Quanto à realização, Bruce McDonald estreia-se de forma surpreendente, por vezes confusa, mas num género inovador, olhando o mundo de frente, sem receios ou aforismos. Uma estreia promissora deste realizador canadiano…

Quem também está ao melhor nível são os Broken Social Scene, banda a quem corresponde – praticamente – na íntegra a banda sonora.

Um filme independente, feito no Canadá, por canadianos, com a petite Canadiana do momento, e com uma boa banda Canadiana…

Um filme confuso, recheado de fragmentos da vida de Tracey Berkowitz, que não é mais que uma simples rapariga, normal como tantas outras, que apenas se odeia a si própria e à sua vida e família e tudo o que a rodeia…

publicado por FV às 17:09

28
Mar 08

Sinopse: Quando Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) recebe uma misteriosa dica de que numa pequena cidade do Oeste um oceano de petróleo está revelar-se à superfície, dirige-se até lá com o seu filho, H.W. (Dillon Freasier), para tentar a sua sorte na degradada Little Boston. Nesta miserável cidade onde a maior excitação se centra em torno dos fervorosos seguidores da igreja do carismático pregador Eli Sunday (Paulo Dano), Plainview e H.W. ganham a sorte grande. Com o decorrer do tempo e o aumento da fortuna, nada se mantém igual e à medida que os conflitos vão aumentando todos os valores humanos – amor, esperança, comunidade, fé, ambição e mesmo os laços que unem pais e filhos – são ameaçados pela corrupção, decepção e pelo fluxo do petróleo.
 
Crítica: Este é um filme que marca alguns regressos. O regresso de Daniel Day-Lewis (desde “The Ballad of Jack and Rose” em 2005), Paul Thomas Anderson (desde “Punch-Drunk Love” de 2002) e o regresso do cinema norte-americano aos épicos intemporais sobre ambição e ganância (desde “Citizen Kane”). E logo à partida, deixamos uma vénia a Day-Lewis, o actor-carpinteiro-sapateiro (quase homem dos 7 ofícios…), que aqui se consagra num dos seus melhores papéis de sempre, dando uma vida e profundidade imensas a Daniel Plainview… Diga-se que o Óscar foi mais que merecido…
Este promissor prospector de petróleo – Plainview - revela-se uma “raposa”, ao investir num negócio que começava a prosperar, fazendo fama e fortuna… o que leva um jovem a procurá-lo e indicar-lhe um local onde existe um valioso “mar de petróleo”. Daniel viaja até este ponto, com o seu filho H.W., conseguindo convencer o proprietário a ficar uns tempos nas suas terras, com o pretexto da caça à codorniz, enquanto adquire terrenos circundantes, entrando aos poucos na comunidade fechada de Little Boston, centrada no jovem “pastor” Eli (Paul Dano).
Com o aumento do dinheiro à volta do petróleo, aumenta a ganância, o interesse, a avareza, a competitividade e a vingança dentro daquela pequena comunidade…Todas as personagens representam símbolos da sociedade, com uma grande crítica à forma como o nosso mundo reage ao famoso “ouro negro”.
Conforme referido, do outro lado da esfera de Day-Lewis, reside Paul Dano, o dúbio Eli Sunday, que com um misto de exagero, dedicação e enorme entrega fazem dele uma das (muitas) boas surpresas do ano. O facto de Dano e Day-Lewis terem contracenado no anterior filme do segundo, permitiu equilibrar aqui a balança, dando mais química e ênfase à relação tumultuosa de Eli e Daniel.
Esta é uma película filmada de forma paciente, cuidada e natural (bem ao jeito de Paul Thomas Anderson – vide “Magnólia”), permitindo ao espectador sentir-se parte da realidade de Daniel e entrar num mundo muito falado – e polémico - na nossa sociedade actual, que é o do petróleo.
P.T.Anderson deixa uma crítica: por muita pobreza e miséria que haja no mundo, existem muitos abutres que tentam aproveitar-se de algo que os possa beneficiar…

publicado por FV às 18:19

                                                           

Sinopse: Texas, 1980. Llwelyn Moss (Josh Brolin), um veterano do Vietname, um dia quando caçava veados, deparou-se com um cenário de uma venda de droga que correu mal, resultando na morte dos intervenientes. No meio do deserto, uma mala com 2 milhões de dólares ficou ao abandono e Llwelyn não resistiu à tentação de ficar com ela. Só que no rasto dessa mala encontra-se Anton Chigurh (Javier Bardem), um impiedoso assassino demasiado dedicado ao seu trabalho e um Carson Wells (Woody Harrelson), um caçador de prémios pago por um investidor. Moss, ao se aperceber que tem Anton no seu encalço tenta proteger a sua mulher, Carla Jean (Kelly MacDonald) e foge para o México. A única pessoa que o poderá ajudar é o Xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) que está no encalço deste perigoso assassino.

 

Critica: No Country for Old Men, baseado no livro de Cormac McCarthy, conta-nos uma história de perseguição, acabando por funcionar como um retrato negro sobre a imprevisibilidade da vida e a aleatoriedade da violência.

No centro da perseguição está Chigurh, a personagem interpretada por Bardem (que leva o filme às costas) que é uma autêntica máquina assassina. Se por um lado, Chigurh não consegue resistir ao seu impulso de ser simultaneamente juiz e carrasco das leis que ele próprio definiu e que regem o seu comportamento, Moss, por outro, acaba por mostrar-se de alguma forma ingénuo, não conseguindo resistir à força da sua consciência para com os outros seres humanos. Entre ele, está o Xerife Bell, um personagem desacreditado e incrédulo, que se sente demasiado velho e sem forças para fazer face a uma forma de crime e a um criminoso que não compreende. Até aqui as personagens e o trio de actores que o compõe formam um cenário tenso, atractivo a cada cena, com um terror bastante subtil, fazendo-nos sentir preocupados com o destino que poderão ter os personagens. Por tudo isto, os irmãos Cohen poderiam ter aqui uma obra de arte, se não tivessem decidido acabar o filme da forma abrupta como o fizeram.

O filme consegue manter um ritmo que, embora lento, mantém-se sempre interessante, até chegar à última meia hora. Quando o filme atinge a parte final, que envolve o desenlace que cada personagem vai ter, este é feito de forma abrupta, deixando demasiadas pontas soltas que se tornam desnecessárias. Não há explicações, o que não tem que ser um aspecto negativo, desde que se mantenha alguma coerência com o resto do argumento, o que não é o caso.

Apesar deste aspecto mais negativo, e em traços gerais, No Country For Old Men é um filme muito bem filmado, com excelentes interpretações e uma fotografia fantástica, tornando-o num filme que, mesmo que não tivesse sido o grande vencedor dos Óscares deste ano, facilmente se tornaria num fenómeno de culto.

publicado por AS às 15:26

26
Mar 08

Sinopse: Uma comédia sobre o crescimento... e os acidentes de percurso. Juno (Ellen Page) é uma adolescente segura e descontraída com resposta para tudo e para todos. Juno não tem um problema de atitude; tem atitude a mais.

Para sobreviver a mais uma tarde de aborrecimento, Juno decide ter sexo com o seu inseguro colega de escola Bleeker (Michael Cera).

Confrontada com uma gravidez indesejada, Juno e a sua melhor amiga Leah traçam um plano para encontrar os pais perfeitos para o bebé que ainda vai nascer.

Mas à medida que a barriga vai crescendo e que Juno vai convivendo com os futuros pais da criança, começa a perceber que, afinal, não tem resposta para tudo… e que a vida ainda lhe pode reservar algumas surpresas.

Depois de «OBRIGADO POR FUMAR», Jason Reitman assina uma comédia única e irreverente, com desempenhos notáveis dos jovens Ellen Page e Michael Cera, que tem vindo a ser aclamada pela crítica internacional e a arrecadar inúmeros prémios.

 

Crítica: Com enorme simplicidade, Juno narra na perfeição o despertar sexual dos jovens, de forma séria e directa. Utilizando aqui personagens fortes e complexos,  a ex-stripper e blogger Diablo Cody apresenta um argumento desarmante na forma natural como encara a gravidez na adolescência, sempre um tema com grande impacto na vida dos jovens… mas com certeza não é o fim do mundo. Jason Reitman filma aqui uma história marcante e séria, sem no entanto ter o lado pesado e moralista.

Assim, somos facilmente sugados para o universo de Juno (Ellen Page) que, p’ra fugir a uma tarde de aborrecimento, decidiu ter sexo com o seu amigo Paulie Bleeker (Michael Cera), resultando daí o cerne da questão: uma gravidez indesejada. Depois do choque inicial, há um apoio incondicional do pai (J.K.Simmons) e da madrasta (Allison Janney), mesmo quando Juno decide ter o bebé e dá-lo p’ra adopção, por achar que a criança não tem culpa dos seus próprios erros. Parte assim em busca dos pais perfeitos para a criança, até encontrar Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), duas pessoas amáveis e bem sucedidas que aparentam ser os candidatos perfeitos.

No meio de toda esta angústia, Juno mostra uma sabedoria surpreendente para uma rapariga da sua idade…(tal como a actriz que a encarna)

Este é um filme com um excelente leque de actores, mas há dois jovens (ela mais que ele) que roubam todo o ecrã…

Num universo em que as jovens actrizes têm que ser esteticamente perfeitas, magras-quase-anoréticas, andar em poses provocantes nas capas de revistas masculinas… mesmo que não saibam representar (vide casos Paris Hilton, Lindsay Lohan..) surge Ellen Page, a pequena canadiana que rouba qualquer cena. Ela apresenta-se como uma verdadeira actriz, com enorme talento no alto (embora seja baixinha) dos seus (apenas) 21 anos, sendo bonita sem ser provocante, superando aqui todas as expectativas já apresentadas em filmes como Hard Candy ou Os Fragmentos de Tracey. Aqui num papel complicado, consegue focar-nos em si durante toda a película, ignorando a grande pressão que lhe caía sobre os ombros. (Só um aparte: Esperemos que de facto siga os passos da grande Natalie Portman, com quem já a comparam…)

Quanto ao jovem que a acompanha, Michael Cera incorpora um Bleeker fantástico, dando um lado totalmente hilariante e confuso – tornando-o real – ao jovem.

Nota também para Jennifer Garner, a conseguir interpretar – finalmente – um bom papel em cinema…

Este é um filme com uma realização deveras fascinante, de tal forma que nem parece um filme norte-americano, não tendo os clichés típicos deste género de filme, apostando muito no diálogo, algo muito comum no cinema europeu. Estes diálogos transformam-se no ponto forte e no núcleo do filme, conseguindo assim compreender mais os valores das personagens, bem como a sua história, e o que se passa na cabeça de Juno…

Este é um filme independente, muito feel-good, ao estilo do que se tinha passado com Little Miss Sunshine no ano passado… e tal como este, tem uma banda sonora fantástica, com o delicioso genérico inicial, passando por diversas músicas de Kimya Dawson e terminando com uma muito boa versão dos The Moldy Peaches interpretada por Ellen Page e Michael Cera.

publicado por FV às 18:50

20
Mar 08

                                                         

Sinopse: Expiação, adaptado do romance homónimo de Ian McEwan, relata-nos como um capricho de uma cruel e infantil vingança pessoal de Briony (Saoirse Ronan) pode destruir irreversivelmente a vida de várias pessoas, e tudo isto despoletado por uma mentira. Robbie (James McAvoy) alvo da paixão de Briony e, esta ao constatar que não era correspondida, sendo preterida para a irmã Cecilia Tallis (Keira Knightley), à primeira oportunidade decide vingar-se, acusando Robbie da violação de uma prima, dando-se como testemunha ocular. Como consequência, Robbie é preso e, consequentemente, destacado para servir como soldado em França durante a Segunda Guerra Mundial, deixando Cecília completamente destroçada.

 

Crítica: O filme começa por nos mostrar a beleza do amor e sedução que facilmente se transformam na perigosa visão de Briony Tallis, que graças ao seu fascínio pré-adolescente pelo desejo sexual estar constantemente na sua mente, levam-na a fantasiar com Robbie Turner, o filho da governanta da família. Só que Robbie está apaixonada pela irmã de Briony, Cecília e esta corresponde a esta paixão. Levada pelo ciúme acusa injustamente Robbie, destruindo a vida deste e da sua irmã. A partir daqui o filme é uma espiral de acontecimentos, de encontros e desencontros, entre Robbie e Cecília, com Briony a surgir no meio, ficando sempre na dúvida se de facto eles ficarão juntos ou não. E, embora a ideia seja boa, o filme perde muito da sua energia nesta fase, causando algum aborrecimento nos espectadores.

No final do filme, somos confrontados com o olhar penetrante de Briony Tallis (interpretada na velhice por Vanessa Redgrave), mas desta vez numa tentativa de se desculpabilizar perante o mundo do seu crime e tentar dar a Cecília e a Robbie a felicidade que lhes tirou.

Como já foi referido anteriormente, Atonement é um filme forte e intenso, graças ao argumento cheio de encruzilhadas e pontos de viragem no destino de duas pessoas. No entanto, o filme acaba por ser vitima deste enredo, tornando-se demasiado longo e cansativo na tentativa de manter o espectador preso à história. Cedo se percebe qual será o destino das personagens, o que de facto faz perder muito do seu fulgor inicial. No entanto, o final do filme, e principalmente o confronto de Briony, agora idosa, com o seu erro e a forma como tenta “corrigir” acaba por ser um dos melhores momentos do mesmo.

De destacar deste filme são sem duvidas o trabalho das equipas responsáveis pela fotografia, captando pormenores sublimes, transpondo para a tela a importância destes mesmos pormenores. O trabalho de reconstituição histórica também merece ser mencionado, visto que a reprodução da Inglaterra dos anos 30-40 foi muito bem feito, tanto a nível da cidade, do country side tão tipicamente Britânico, bem como ao nível do guarda-roupa e acessórios.

 

publicado por AS às 11:53

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